29 janeiro 2010
Cara de pau demagógica
Consta que no parlamento hoje, Francisco Louçã afirmou que «os dez maiores investidores da bolsa ganharam cinco mil milhões no ano passado sem pagar um cêntimo de impostos». De igual modo, há poucos dias, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda fez um comunicado em que afirmou [negritos meus]:
«Ora, as dez pessoas cujos patrimónios imobiliários se valorizaram em 5 mil milhões de euros, em 2009, teriam que pagar mil milhões de imposto se tivessem comprado e vendido as acções nesse ano e se houvesse um imposto mínimo, e não pagarão nada se se mantiver a situação actual. O rigor fiscal financiaria dois anos de acesso ao subsídio de desemprego para todos os que dele precisam para viver. O governo preferiu beneficiar dez especuladores.»
Esta subtil qualificação é o gato escondido com o rabo de fora. A verdade é que não ocorreram mais-valias taxáveis ao abrigo dos códigos do IRS e IRC, que embora com uma taxa de 10%, já taxam mais-valias detidas por menos de 12 meses. Se o governo tivesse implementado o planeado, a taxa passaria para 20%, mas as “mais-valias” em causa (não realizadas), permaneceriam isentas. Uma mais-valia só é cobrável no momento da venda. Não havendo venda, não há mais-valia.
Isto é fácil de entender. Mas o disparate ainda é maior, na medida em que dificilmente se concebe a possibilidade de que as transacções pudessem realmente ocorrer no prazo de 12 meses. O volume total anual de transacções na Euronext Lisboa foi de 31,7 mil milhões de euros. Tendo a valorização da capitalização total das acções ali transaccionadas subido 51,8%. Assim, as referidas 10 pessoas teriam de “passar” pelo mercado cerca de 15 mil milhões de euros, cerca de metade do volume total anual. A pressão vendedora seria brutal. Os preços provavelmente teriam de descer bastante. Os magnatas portugueses deixariam de ser donos das suas empresas. (acho que nem mesmo a CGD poderia intervir aqui para manter os “centros de decisão”).
O único ponto deste sound bite do Bloco é salientar o contraste entre os poucos dez ricaços e os muitos que “precisam”. Subjacente à afirmação está um conjunto de pressupostos: Que se o governo fosse atrás dos “dez”, eles não se iam embora; que se tentassem ir embora, bastaria expropriá-los; no fundo, que o que é teu é nosso.
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16 dezembro 2009
Para que serve a imprensa?
Quando um jornal publica um editorial em que assume que a investigação de factos é secundária perante a força dos números de quem defende uma determinada teoria, isto é jornalismo ou propaganda? Quando um jornalista deixa que a sua opinião pessoal influencie a sua abertura a investigar factos surgidos publicamente, ignorando-os, está a fazer o seu trabalho ou a disseminar propaganda? Quando um jornal dissemina acriticamente a refutação de factos por terceiros, sem analisar os factos em si, está a veicular informação ou a escondê-la?
A crise da imprensa é conhecida. O declínio provavelmente inevitável. Sem boas práticas de jornalismo, o epílogo limitar-se-á a chegar mais depressa.
Algumas notas:
O editorial do i refere [negritos meus]: «[O climategate levou] este batalhão de cientistas a declarar “a maior confiança nas provas de aquecimento global”, a lembrar que o fenómeno se deve “às actividades humanas” e a pedir medidas urgentes na Dinamarca.»
Na verdade, como se pode ver na “declaração”, não existe qualquer menção à Cimeira de Copenhaga, ou à Dinamarca. A “declaração” limita-se a ser uma profissão de fé nas conclusões dos relatórios do IPCC.
Refere ainda: «O efeito de estufa resulta da emissão de dióxido de carbono, mas é curioso verificar como tanta gente responsável ainda duvida desta evidência científica ou da própria existência do efeito de estufa.»
Não é esta a questão. Este argumento falaccioso tenta reduzir ao ridículo a posição céptica. O que está em causa é a magnitude do fenómeno, especialmente face a outros fenómenos não-antropogénicos, e a alegada urgência de agir.
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15 setembro 2009
Junk science II
No
DN:
«Em 2040, o mosquito da malária será uma visita habitual em muitas partes da Europa e dos Estados Unidos (EUA). Tudo por causa do aquecimento global. Mas esta não é a única doença que vai beneficiar com as alterações climáticas: a dengue, a desinteria e a cólera também vão ameaçar mais pessoas, alerta a cientistas norte-americana Rita Colwell, do Centro de Biotecnologia Marinha da Universidade de Maryland, nos EUA.»
Até meados do século XX existiu malária por todo o sul da Europa e por todo o território dos EUA. Na Europa, a erradicação deu-se por volta dos anos 30. Nos EUA, no início da década de 50. Não foram "alterações climáticas" que causaram esta alteração. Foram melhorias no saneamento, acções para limitar a propagação de mosquitos, secagem de pântanos e o uso de pesticidas como o DDT. Alguém acha mesmo que uma potencial subida de temperatura média em 1 grau centígrado até 2040 (worst case scenario, de acordo com os modelos SRES A2) irá reverter um século de melhoria de condições higiénicas na Europa?
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22 junho 2009
Grande sentido de oportunidade
07 junho 2009
Sinal dos tempos
21 maio 2009
Cá se fazem, cá se pagam
No
Wall Street Journal:
«Far from being speculators, these funds represent retired public employees, including cops and teachers. The funds paid a premium to buy "secured" status, only to discover that they were politically outranked by the United Auto Workers in the White House hierarchy.
"In the past, to be 'secured' meant an investor was 'first in line' in the event of a bankruptcy and 'non-secured' creditors would receive value after secured-creditors were paid," Mr. Mourdock says. "In the Chrysler bankruptcy, however, secured creditors received $.29 on the dollar even as non-secured creditors received higher values and ended up with a 55% ownership of the new company, which is fundamentally wrong and a dangerous precedent to the capital markets."
(...)
The question for all public officials responsible for investing pension money is whether they too should conclude that investing in U.S.-aided companies now carries so much political risk that it violates their legal obligations. Such are the wages of White House disdain for legal contracts.»
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13 maio 2009
Toda a gente gosta de preços baixos
Nas Conferências do Estoril, Joseph Stiglitz fez uma inflamada palestra sobre a depravação moral dos banqueiros e sobre os males da desregulação dos mercados financeiros. Pelo meio, lá admitiu que “há” quem atribua parte das culpas pela crise às políticas monetárias dos principais bancos centrais, que mantiveram as taxas de juro demasiado baixas, causando maus investimentos e alocações de recursos erradas. Mas para ele isso não é grande argumento. A política monetária não ajudou, mas, para ele, a culpa é de todo o sistema financeiro, a começar pelo
management, que andou a fazer
lobby para desregulamentar os mercados.
Para Stiglitz, o sistema financeiro perdeu uma excelente oportunidade de aproveitar o preço baixo do dinheiro para fazer
bons investimentos em vez de
maus investimentos. A simplicidade do argumento é comovedora. Provavelmente tudo se resolve criando uma agência reguladora que direcciona os bancos nos sentido de fazerem bons investimentos e de evitarem os limões. Para operacionalizar a referida agência, contratam-se alguns dos tais banqueiros moralmente depravados e uns poucos dos políticos que foram “lobbiados”. Deve dar um resultadão.
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19 abril 2009
Demagogia esquerdista sem contas feitas
A sugestão de que se pode
combater a crise criando um novo escalão de IRS, como propõe a CGTP, é tão idiota como inútil. Existiam, em 2006, 3666 agregados cujos rendimentos eram superiores a 250.000 euros anuais. Cabem todos no Campo Pequeno e ainda sobram lugares. Estes agregados correspondem a 0,08% da população, têm 2,12% do rendimento total nacional tributável em sede de IRS e os seus pagamentos deste imposto correspondem a 7,59% do bolo total.
Como o rendimento médio destes 3666 agregados é de cerca de 436.000 euros anuais, ignoremos a distribuição dentro do segmento (seguramente enviesada por salários de estrelas de futebol, administradores de grandes empresas e uma mão cheia de quaquilionários) e assumamos que todos seriam abrangidos pelo novo escalão de 60%. Representando os seus 582 milhões de euros de IRS uma taxa efectiva de imposto de 36,4%, é previsível que a sua taxa efectiva subisse para uns 50%. O estado teria mais cerca de 200 milhões de euros em receita de IRS, assumindo que as pessoas em causa se deixavam encurralar no Campo Pequeno sem explorar
loopholes ou sem migrar os seus activos para áreas fiscalmente mais eficientes (leia-se, mudarem-se para o Luxemburgo ou até mesmo Badajoz). Isto significaria um aumento de 2,5% nas receitas de IRS. Uau.
Estes fabulásticos 200 milhões de euros anuais, além de permitirem construir umas dezenas de quilómetros de auto-estrada em terrenos agrícolas estéreis onde não mora ninguém, teoricamente serviriam para aliviar a carga fiscal sobre os mais desfavorecidos (presume-se). Acontece que 50% dos agregados portugueses não pagam IRS; e que os 30% a seguir pagam uma taxa efectiva de imposto inferior a 4%. Isto resulta em que 80% dos agregados pagam apenas cerca de 7% de todo o IRS cobrado. Do outro lado estão 12% dos agregados, que pagam 80% do total. Ou seja, os mais desfavorecidos já não pagam.
A conclusão inevitável é que esta proposta, na melhor das hipóteses, apenas se traduziria num aumento punitivo para 3666 famílias, sem sequer trazer qualquer alívio significativo para qualquer outro segmento demográfico (dando de barato que se isso ocorresse a medida seria ética, o que de modo algum acho). Na pior das hipóteses, entre
loopholes e deslocalização (tipo Bono, que mudou a residência fiscal para a Holanda), o valor “angariado” seria uma fracção dos 200 milhões. De uma forma, ou de outra, combater a crise é o que esta medida menos faria. A velha frase feita “os ricos que paguem a crise” não é realista. Não há ricos suficientes para pagá-la.
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02 abril 2009
Grandes Exemplos de Lógica
Cândida Almeida diz que não existiram pressões porque os procuradores estão habituados. Pinto Monteiro diz que não existiram pressões, mas "menciona" que vai averiguar "violações da deontologia".
(via JN)Etiquetas: alienação, caboom, dissonância cognitiva, falácias, gripe das aves, monstro de loch ness, oportunismo, roubalheira, self-delusion, tretas
13 fevereiro 2009
Métodos Socráticos
Mais depressa se apanha alguém com uma insuficiência epistemológica do que um portador de deficiência num dos membros inferiores.
Segundo o Jornal de Negócios, o primeiro-ministro terá citado «um estudo, segundo o qual os 10% que declaram maiores rendimentos em Portugal deduzem, em média, 300 euros, em despesas de Saúde, ao passo que os de rendimentos médio apenas “abatem” 80 euros. Em seu entender, esta situação “não é justa” e deve ser corrigida.»
Interrogo-me como quererá o primeiro-ministro “corrigir” a situação. O montante deduzido é proporcional aos gastos com saúde efectuados pelo contribuinte. Os contribuintes que deduzem menos também gastam menos. Vão ao Serviço Nacional de Saúde. Que é pago com os impostos dos primeiros, que dada a progressividade dos escalões, até pagam disproporcionalmente por serviços que não usam ou usam menos (daí deduzirem mais no IRS). Este é o resultado directo do sistema fiscal que temos, que é progressivo e redistributivo. Uma “correcção” aqui significa uma de duas coisas: Ou os contribuintes de escalões inferiores passam a gastar mais em saúde, fora do SNS (algo contraditório com o propósito do dito sistema), ou então os contribuintes dos escalões superiores passam a deduzir menos (o que se traduz simplesmente num aumento de impostos).
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04 dezembro 2008
The Road to Ingsoc
A
notícia da detenção do deputado Damian Green, do partido conservador britânico, para ser interrogado sobre uma "
conspiracy to commit misconduct in public office", parece ter passado despercebida cá pelo burgo. A brigada anti-terrorismo da polícia metropolitana revistou as casas e escritórios de um membro do parlamento, incluindo o seu gabinete dentro de Westminster, confiscou-lhe documentos, computadores e o telemóvel, interrogou-o durante nove horas e tirou-lhe as impressões digitais e uma amostra de ADN, tudo com espalhafato e clara intenção de o achincalhar publicamente.
O seu crime? Embaraçar o governo de Gordon Brown com informações como o facto de 5000 imigrantes ilegais terem recebido licenças para trabalhar em empresas de segurança britânicas, ou como o governo mantinha uma lista com os nomes de todos os deputados que se opunham ao projecto-lei anti-terrorista que propunha aumentar o periodo de detenção sem acusação para até 42 dias, entre outras.
São notícias como esta que servem para mostrar os perigos de leis securitárias anti-democráticas e anti-liberais àqueles que argumentam que “quem não deve não teme”.
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09 outubro 2008
Ignorância
De parte da esquerda (marxista, marxista envergonhada ou clueless), não é surpresa o gáudio vivido na expectativa de um sonhado regresso às ideias socialistas dominantes na primeira metade do século XX, como consequência da actual crise nos mercados financeiros. Os últimos cem anos foram assim: Um tug-of-war constante entre liberalismo e estatismo, com inversões de tendência regulares. Se a ameaça do colectivismo totalitário parece ter sido mais ou menos afastada, em contrapartida o deprimente plano inclinado na direcção da mesmice e do nanny state continua em força.
Também não surpreende totalmente, embora seja sempre desanimador, ver a facilidade com que os auto-intitulados “moderados”, os que dizem querer “salvar o capitalismo de si próprio”, se transformam no motor que reforça o tal plano inclinado. São como bem intencionados rawlsianos, que em tudo o que diz respeito à economia, acabam por levar à letra a ideia de se colocarem por trás de um véu de ignorância.
Como escreveu Ayn Rand: «It is futile to fight against, if one does not know what one is fighting for.»
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19 agosto 2008
Indicadores de sucesso
A gritante prova da falácia usada por João Marcelino (
aqui identificada) é que apesar dos meios disponibilizados pelo estado português para a preparação e participação olímpica, especialmente face ao passado, tivemos todos de testemunhar o
episódio do "de manhã só estou bem na caminha", o
episódio do "não sou muito dada a este tipo de competições" e o
episódio do "agora vou de férias ...
não vou aos 5000 metros, as africanas são fortes; não vale a pena lutar contra elas".
E no fim disto, ainda vem o secretário de estado dizer que
"os atletas são melhores a fazer desporto que a prestar declarações". Manifestamente, não são grande coisa em nenhuma das duas.
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05 maio 2008
Abutres
No contexto das notícias catastrofistas, quase “fim dos tempos”, sobre o aumento do custo de vários bens alimentares, a campanha do Banco Alimentar contra a fome deste fim de semana teve especial relevo nas notícias e tudo indica que foi muito bem sucedida. Quase duas dezenas de milhar de voluntários e, presumo, centenas de milhar de contribuintes (no sentido real do termo), deram forma a uma enorme iniciativa de apoio a quem passa necessidade. O que acho realmente extraordinário é o facto da maior parte destas pessoas não questionar o facto de apesar de quase metade de tudo o que produzem ser consumido pelo estado, alegadamente “social”, continuem a persistir situações de carência que apenas são resolvidas por iniciativas fora desse estado. Se o questionam, o facto é que não agem em consonância.
As décadas vão passando, o peso do estado vai aumentado e vão subindo de tom as queixas sobre aumentos das diferenças entre ricos e pobres, ou da dimensão das “bolsas” de pobreza. A conclusão, evidente, de que algo está errado no modelo do estado social nunca é atingida. As receitas passam sempre por mais intervenção, mais estado e menos escolha individual. Note-se que o problema é rigorosamente o mesmo nas outras funções, supostamente nucleares, do estado. Quanto mais cresce a carga fiscal, piores os serviços de saúde prestados, com enormes listas de espera e racionamento; menos formados são os alunos e mais desacreditada fica a escola pública; mais desacreditadas ficam a justiça e a segurança pública. As boas intenções, que proverbialmente vão pavimentando a estrada daqui ao inferno, essas nunca são questionadas.
A razão para esta passividade é filosófica. O humanitarismo, a ideia de que o padrão moral é o nobre sacrifício e de que a mais alta virtude que alguém pode almejar é viver para ajudar os outros são responsáveis por isto.
Como escreveu Isabel Paterson, quando esta ideia se junta ao internacionalismo e à vontade de “ajudar a humanidade”, estão reunidas as condições para a catástrofe. Condicionadas pelo padrão moral altruista, as pessoas são incapazes de perceber as implicações efectivas dessa filosofia de subordinação da produção à ajuda a terceiros (quando devia ser justamente ao contrário) ou nem sequer de julgar os “grandes humanitários” pelos resultados e não pelas intenções (algo que parece óbvio).
Desta forma, as pessoas acabam por não ver o verdadeiro papel dos estadistas responsáveis pela situação. Não vêm que estes, ao defender as suas boas intenções para o estado “social”, acabam por comportar-se como abutres que se alimentam (espiritualmente, quando não literalmente) da miséria alheia.
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16 abril 2008
Ortografias
O acordo ortográfico é mesmo essencial para a sobrevivência da língua portuguesa. A história está pejada de exemplos de línguas que morreram por não se adaptarem aos tempos modernos, por não se tornarem homogéneas e consistentes. Neste contexto, deixo aqui um breve exemplo de uma língua sem nenhuma importância e cujo declínio foi causado pela dificuldade de partilhar textos editados nos dois lados do oceano.
Versão do Velho Continente: Johnny’s favourite friday night programme is to go to a movie theatre. He usually goes to the local shopping centre, just up the road, at Marlborough. Although he also has a large TV at home, where he could watch movies wearing his pyjamas, there is nothing like the full colour and close dialogue experience of the silver screen.
Johnny is a little barmy about movies. At least that’s what his mum says. He’s memorised lines from all genres of movies from the mediaeval to science fiction. He knows everything about the stars, from the young starlet to the ageing jewellery-clad femme fatale. As a fan of aviation, his speciality, he also delights in movies that show the skilful art of manoeuvring aeroplanes.
The theatre up at Marlborough, however, is a bit draughty, due to the aluminium ceiling. But the show is worth ploughing through. In it’s defence, it should be said that being about 300 metres away from his front door, it could hardly better fulfil the role, in Johnny’s judgement.
Versão do Novo Mundo: Johnny’s favorite friday night program is to go to a movie theater. He usually goes to the local shopping center, just up the road, at Marlboro. Although he also has a large TV at home, where he could watch movies wearing his pajamas, there is nothing like the full color and close dialog experience of the silver screen.
Johnny is a little balmy about movies. At least that’s what his mom says. He’s memorized lines from all genres of movies from the medieval to science fiction. He knows everything about the stars, from the young starlet to the aging jewelry-clad femme fatale. As a fan of aviation, his specialty, he also delights in movies that show the skillful art of maneuvering airplanes.
The theater up at Marlboro, however, is a bit drafty, due to aluminum ceiling. But the show is worth plowing thru. In it’s defense, it should be said that being about 300 meters away from his front door, it could hardly better fullfil the role, in Johnny’s judgment.
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25 março 2008
Operação Páscoa
Consta que este ano houve «
Mais mortos do que em 2007» durante o período da Páscoa. Na estrada, isto é. O facto de ser mais um (sete versus seis) não devia dar direito ao uso do plural, mas enfim. Ainda assim o meu título favorito é o da TVI, que diz que «
Operação Páscoa provoca 5 mortos e 11 feridos». Malandros da GNR, a provocar acidentes. O curioso de todo este espalhafato é outro, com bastante mais significado estatístico, pois a «
BT levantou mais de 3.500 contra-ordenações»:
«A Brigada de Trânsito (BT) da Guarda Nacional Republicana (GNR) levantou 3.537 autos de contra-ordenação durante os quatro dias da Operação Páscoa, na maioria por excesso de velocidade e condução sob o efeito de álcool. (...) foram detectados 184 condutores sob o efeito de álcool, (...) ainda 149 processos de contra-ordenação por falta de uso do cinto de segurança, principalmente nos assentos traseiros, (...) várias outras infracções como o uso de telemóvel, a circulação na faixa central em auto-estrada e falta de seguro das viaturas.» - Diário Digital
Este enfoque tão grande na morte na estrada, com a respectiva acção "repressiva" e "punitiva", especialmente sobre os automóveis, ignora aspectos importantes; nomeadamente o facto de
quase metade dos mortos em acidentes de viação em Portugal serem peões e condutores de veículos de duas rodas. Só nesta Operação Páscoa, de acordo com o artigo do Diário Digital, quatro dos sete mortos ocorreram em colisões de automóveis e bicicletas. Mas aparentemente o que interessa é andar atrás de quem circula na faixa do meio na auto-estrada, ainda por cima com passageiros traseiros sem cinto de segurança.
Na vizinha Espanha,
morreram 63 pessoas durante a Semana Santa. E o impressionante não é este número elevado, mas antes o facto de representar uma queda de
40% face a 2007. Pela primeira vez o número foi inferior a 100. É preciso ter em atenção que as 63 vítimas mortais ocorreram num período de dez dias, comparando com as sete vítimas portuguesas em quatro dias. Para o período exactamente igual, quinta-feira a domingo, morreram nas estradas espanholas 34 pessoas. Tendo em conta a dimensão da população e parque automóvel, apesar das amostras serem demasiado pequenas para tirar conclusões, isto parece confirmar que a sinistralidade rodoviária portuguesa já não é muito diferente de outros países europeus semelhantes. Uma análise mais detalhada pode ser
vista aqui.
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01 fevereiro 2008
Graçola fácil
No seguimento
deste post do João Miranda, é caso para comentar que já todos tínhamos percebido que José Sócrates tinha a cabeça dura.
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03 janeiro 2008
Morte na estrada
No DN de hoje, o título principal é "
Cada morte na estrada custa um milhão". Se tivermos em conta que esta notícia surge logo no seguimento de uma semana em que as mortes na estrada tiveram direito a lugar especial na (demagógica) mensagem de ano novo do Presidente da República, deve vir aí nova ofensiva legislativa sobre os automobilistas. Os
media são tão facilmente manipulados para se tornarem verdadeiros "idiotas úteis" do estatismo, que até assusta.
Os mortos nas estradas portuguesas, em 2007, custaram ao Estado 858 milhões de euros (um milhão de euros por vítima mortal), ou seja, 0,5% do produto interno bruto. "Cada vítima mortal em sinistralidade custa cerca de 200 mil contos em moeda antiga ao Estado, segundo os dados que Portugal comunica a Bruxelas", explicou ao DN Paulo Marques, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
O valor é calculado tendo em conta os valores de referência usados pelos tribunais e seguradoras na arbitragem de acidentes de viação, os quais têm em conta o investimento na formação (educação, saúde, segurança social, etc.) e os ganhos de produtividade que o Estado deixou de ter com a morte prematura de um cidadão activo. A estas contas juntam-se os custos que o Estado tem com os feridos graves, que muitas vezes não recuperam completamente das lesões sofridas nos acidentes.
Fazer estes cálculos não é, em si mesmo, um problema; apesar da confusão entre custos incorridos pelos cidadãos (ou por entidades com eles relacionadas, como seguradoras) e pelo estado, bem como da confusão entre custos com a destruição de capital (neste caso humano) e custos
out-of-pocket (marginais, em
cash). O problema está nas possíveis conclusões políticas que normalmente se pretendem tirar deste tipo de exercício. As pessoas não pertencem ao estado, pelo que a sua eventual falta de produção não é algo que o estado perca (no sentido de deixar de ter algo que se tinha). Quando estes argumentos são apresentados, o corolário é normalmente algo do género "temos de fazer alguma coisa, porque estes custos não são aceitáveis". E quando o estado resolve fazer alguma coisa, costuma dar asneira.
Ninguém fica contente com as mortes na estrada. Especialmente de inocentes (isto é, de pessoas que acabam por morrer vítimas de comportamentos alheios). Mas antes de embarcar na desmesurada indignação comum nesta altura do ano, que condena colectivamente todos os automobilistas, clamando por mais leis, multas e restrições, é preciso perceber qual a gravidade efectiva do problema. Todos estamos familiarizados com a reputação desastrosa dos condutores portugueses, e com as alegações de que temos as piores estatísticas. Mas será realmente assim?
A
IRTAD é uma base de dados estabelecida pela OCDE para registar estatísticas relativas a acidentes rodoviários, usando uma metodologia o mais uniforme possível. O objectivo da OCDE com esta base de dados é facilitar investigação e pesquisa conducentes a melhorar a segurança nas estradas. De acordo com a IRTAD, entre 1988 e 2004 as mortes na estrada em Portugal baixaram de entre 30 a 35 (por cada 100000 habitantes) para cerca de 10. O gráfico seguinte mostra essa evolução, juntamente com a evolução em igual período da Espanha e da França.

A observação do gráfico permite de imediato verificar que até há meia dúzia de anos a sinistralidade rodoviária em Portugal era efectivamente catastrófica face aos nossos vizinhos europeus. Se observarmos o gráfico seguinte, em que se compara a evolução dos mesmos três países relativamente à sua média ponderada, podemos mesmo ver que durante a primeira metade da década de 90 a situação portuguesa até se agravou em termos relativos face a Espanha e França. Valores superiores a um estão acima dessa média, inferiores, abaixo. O ponto de viragem parece ser 1997, altura em que fui viver para Inglaterra. Se calhar a culpa era minha.

Para podermos tirar uma conclusão mais objectiva, contudo, é conveniente uniformizar esta evolução dos indicadores, fazendo 1988=100. Valores acima de 100 significam que a situação piorou face a 88, abaixo, que melhorou. Podemos assim ver que a evolução em Portugal é a mais dramática de todas. De (claramente) pior da OCDE durante duas décadas, para algures a meio da tabela (embora ainda na metade inferior); sendo que os valores absolutos em todos os países têm vindo a convergir, sinal de que a segurança tem aumentado
across the board.

Este tipo de uniformização é especialmente importante porque os números apresentados por estas organizações padecem de inconsistências incompreensíveis. Acontece os valores
per capita para Portugal virem calculados com base numa população de nove milhões, que salvo erro era o caso nos censos de 1991. Adicionalmente, às vezes o indicador é ajustado pelos 14% referidos na notícia do DN, outras vezes não. O próprio valor do ajuste de 14%, aplicado pela primeira vez em 1999, pode estar totalmente errado hoje em dia. Parece razoável assumir que os mesmos erros podem ser feitos nos números para os outros países.
De qualquer modo, usar apenas este indicador é só parte da "estória". Para entender a sinistralidade rodoviária em Portugal é preciso ir mais longe. No cômputo geral, é possível dizer que a situação já não é tão negra quanto a pintam, apesar de pior que a média da OCDE, comunitária,
whatever. Mas se cavarmos mais fundo, encontramos nos números algumas estatísticas que surpreendem pela contra-intuição.
Em primeiro lugar, e comparando com Espanha, o nosso vizinho mais próximo, os mortos entre peões são impressionantes. 16% das mortes "na estrada" em Portugal são peões; em Espanha apenas 9%. Noutros países europeus as mortes entre peões são também mais significativas, mas tendo em conta o nível de mortes algo inferior, isso deve representar simplesmente menos acidentes entre veículos. Ainda mais chocante é o peso estatístico de mortes de condutores de motociclos e bicicletas, 28% em Portugal contra 18% em Espanha.
Em segundo lugar, também comparando com Espanha, o número de mortes dentro das cidades tem um peso desproporcionado. Cerca de 35% das mortes ocorrem em áreas urbanas (o que exclui auto-estradas, estradas nacionais e rurais). O mesmo valor para Espanha é 13%! Comparando com o apontado acima, isto significa que provavelmente as estatísticas portuguesas são piores que as médias internacionais por causa de atropelamentos e acidentes envolvendo motociclos e bicicletas, dentro das cidades. Face à aproximação dos indicadores agregados, não é irrazoável a conjectura de que ao nível de sinistralidade de estrada (propriamente dita) a situação portuguesa está pelo menos igual às médias internacionais. Também não é irrazoável concluir que as mortes anormalmente altas em áreas urbanas espalham falta de civismo, não necessariamente dos automobilistas. Mas isso já são outros quinhentos.
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04 dezembro 2007
Bem prega Frei Tomás...
Esta é tão boa que ainda me estou a rir [negritos meus]:
The story goes a little like this, the MPAA weasels released a toolkit for universities to ostensibly track down people the content MAFIAA might be interested in extor^h^h^h^h^hchatting with. Ironically, this toolkit is based on a lot of open source software, not the usual DRM'd proprietary monstrosities they are so fond of. Getting really ironic, they appear to have modified the files and distributed them without giving out the source or telling people how to get said source files.
The technical term for doing this to GPL'd software is copyright violation. This is because if you abide by the GPL, you have a license to the copyrighted work therein. If you do not abide by it, like the MPAA appears not to have done, then you are a copyright violator.
One of the copyright holders tried in vain to get them to listen, only getting the run around from clueless secretaries. He eventually had to, wait for the added irony, contact the MPAA's ISP to get the offending copyright violations removed. Tis to laugh.
The before and after shots show the MPAA did actually remove it, but the fact remains that as of now, they appear to have done some copyright infringement, and the source and changes are nowhere to be found. Unless they do soon, we can only assume they will be sending Matthew $738,098,331.24 per CD shipped, a fair and reasonable sum by their own standards.
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01 dezembro 2007
Dizer besta
O André Azevedo Alves está para a blogosfera como o
Sammy Davis Jr está para o entertainment: Tem pelo menos um atributo que garante que haja sempre alguém que embirre com ele. Ser liberal, católico e frontal maximiza a probabilidade dele levar os que não concordam com ele a perder as estribeiras. Até eu, talvez por causa dos meus precoces cabelos brancos, já pude ser observado no passado erguendo o sobrolho esquerdo alguns milímetros ao ler um ou outro dos seus posts mais confrontacionais.
Nem quero pensar no que diriam os seus críticos se soubessem que, ainda por cima, ele é um reptiliano de língua bifurcada que come criancinhas, temperadas com aspartame, ao pequeno almoço, enquanto conspira com o seu
dark master, o malévolo lorde da Mont Pelerin Society, para eliminar da face da galáxia os mestrandos jedis de Oxford. Para não falar no facto de ser sobrinho, pelo lado da prima da vizinha de baixo do cunhado do Donald Rumsfeld.
Bom. Manda o princípio da dupla precaução que eu aqui me proteja deixando bem claro que os parágrafos acima eram a gozar. Uma vez que o Tiago Mendes anda por aí a retirar palavras e frases do seu contexto para
lançar ataques ad hominem ao Darth, quer dizer, André. É que levar estas coisas com humor e boa disposição é o melhor que se pode fazer perante a mais
deprimente e patética demostração de despeito, mesquinhez e inveja que eu me lembro de ter lido na blogosfera. Perto disto, até a "extrema-esquerda trauliteira", como lhe chamaria o André, parece cordata e razoável.
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