03 Julho 2009
Friday Morning Riffs
26 Junho 2009
Friday Morning Riffs
22 Junho 2009
Grande sentido de oportunidade
«O ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso foi condenado pelo Tribunal de S. João Novo a três anos de prisão, com pena suspensa, por crime de prevaricação. Em desacordo com a sentença que aponta o arquivamento indevido de processos de contra-ordenação do Boavista, Cardoso aproveitou a ocasião para anunciar o regresso à actividade política.»
Etiquetas: caboom, democracia, humor, oportunismo
IVA em queda
Mário Crespo acaba de dizer na SIC Notícias que a receita do IVA está 25% abaixo do que estava em mesmo periodo do ano passado. Apresentou como razão o facto da taxa ter baixado de 21% para 20%. Minutos antes, na SIC, Rodrigo Guedes de Carvalho tinha dito o mesmo. Estou abismado. Como é que enormidades destas passam sem ninguém na redacção reparar que a notícia não faz sentido?
Comentarismo de ponta
No Jornal de Negócios, referem-se os comentários de Roubini sobre as bolsas:
«As afirmações feitas hoje por Roubini, em especial no que diz respeito aos mercados accionistas, de par com o anúncio de piores previsões para a economia global por parte do Banco Mundial, estão a penalizar as bolsas na Europa e nos EUA.»Espectacular análise de causa e efeito. Eu bem tentei na Reuters e em outras agências, mas só o brilhante analista do diário português conseguiu inferir esta relação...
Etiquetas: falácias, humor, media, tretas
16 Junho 2009
Alguém vai levar nas orelhas
No Jornal de Negócios [negritos meus]:
«As acções da Impresa atingiram um máximo de Janeiro de 2008 durante a sessão, após terem disparado 146%, valorização que levou os títulos da empresa de media a atingir a fasquia dos 2,00 euros. A forte subida terá sido provocada por uma ordem errada de 200 mil títulos, colocada no mercado ao melhor preço.»
Etiquetas: finance 101
15 Junho 2009
Então é para comprar ou vender?
Extraordinária esta notícia no Jornal de Negócios. Começa a referir, na parte de destaque:
«O Goldman Sachs efectuou uma revisão às "holdings" europeias, considerando que estas representam uma forma alavancada de tirar partido da recuperação do mercado accionista. A recomendação foi revista em baixa para "vender" e o preço-alvo da Sonae SGPS melhorado para 0,94 euros.»Ao ler a notícia, lá chegamos ao penúltimo parágrafo e percebemos que a recomendação para a Sonae SGPS é de compra... A recomendação relativa à Semapa é que é de venda. Fantástico.
Etiquetas: media
Monday Morning Blues
T-Bone Walker - Stormy Monday
T-Bone Walker nasceu no Texas, a 28 de Maio de 1910. Durante a infância e adolescência, aprendeu umas coisas com Blind Lemon Jefferson, bem como com outros bluesmen do Lone Star State. Aos 19 anos gravou o seu disco de estreia. Walker foi dos primeiros guitarristas de blues a optar pela guitarra eléctrica, em 1935. Diz-se que B.B. King, então um amador, ouviu o seu single "Stormy monday" e foi a correr comprar uma guitarra eléctrica.
Etiquetas: monday morning blues, rock me baby
12 Junho 2009
Friday Morning Riffs
09 Junho 2009
Da Virtude Democrática
Diz Pedro Mota Soares que «as sondagens estão a desvirtuar o sistema democrático e político em Portugal». Já proibir sondagens em periodo de campanha eleitoral parece-lhe uma medida virtuosa. Fazendo um enorme esforço de contenção, a mim parece-me uma sugestão idiota, infantil, irreflectida e, francamente, ridícula; que demostra uma incapacidade de pensar sobre um assunto durante mais de uma fracção de segundo para identificar as implicações, consequências e natureza de um instinto animalesco. Vaticino descidas tanto em sondagens como em votos para um partido que cai em disparates destes.
Etiquetas: caboom, democracia, ignorance is strength
07 Junho 2009
Sinal dos tempos
«O presidente da Junta [de Castanheira do Vouga] justificou o boicote com a exigência de ligação da freguesia à Internet de banda larga. "Hoje não vai abrir a mesa de voto, o presidente da mesa não tem forma de aceder ao espaço, que está barrado por gente da freguesia", descreveu.»
Etiquetas: alienação, democracia, oportunismo
05 Junho 2009
Friday Morning Riffs
04 Junho 2009
Resumo da novela de hoje
28 Maio 2009
Eis uma causa verdadeiramente fracturante
«O governo da Malásia está a submeter ao Parlamento uma proposta de emenda na Constituição do país que proíbe os homens de chamar "feias" às suas mulheres.»
Etiquetas: dissonância cognitiva, humor, self-delusion
24 Maio 2009
Never knowingly undersold
Acho curiosa a aparente indignação com o facto dos novos painéis relativos aos preços dos combustíveis nas auto-estradas mostrarem preços praticamente iguais. De que estavam exactamente à espera? Numa indústria com um único fornecedor local de produto, com estruturas de custos similares e, acima de tudo, com licenciamento controlado, que mais poderia acontecer?
Paul Geroski, antigo chairman da Comissão de Concorrência do Reino Unido, costumava dizer que existem várias indústrias onde os preços convergem não por concertação explícita mas pela conjugação de factores estruturais da oferta, por um lado, com sensibilidade ao preço fora do normal dos clientes, por outro. Um dos seus exemplos favoritos era a promessa de preço por parte de alguns grandes retalhistas ("se encontrar mais barato, rembolsamos a diferença"). O mais conhecido, sob jurisdição de Geroski, era o da John Lewis Partnership, cujo lema há cerca de 80 anos é «Never knowingly undersold».
Geroski dizia que um dos efeitos dessa promessa é uma convergência de preços na vizinhança das lojas. Convergência em média até mais alta do que seria de esperar face a benchmarks de outros mercados. O seu argumento era que a promessa de preço faz da John Lewis o padrão, isto é, dá-lhe o poder de estipular os preços. A promessa é um compromisso credível de que não adianta aos concorrentes ter preços mais baixos, pois os consumidores podem sempre receber a diferença. Não sendo uma instância de concertação, este "anúncio" é um sinal forte aos concorrentes da política de preços "padrão". Um efeito engraçado é uma posição intermédia em que uma televisão, por exemplo, custa 500 libras na John Lewis e 499 noutras lojas. O mesmo preço, sem ser o mesmo preço, tal como as diferenças de uma milésima de euro nos painéis dos combustíveis.
Os painéis não são uma promessa de preço, mas também funcionam como auxiliar de estipulação de preço. Num mercado em que existem barreiras enormes à entrada, via licenciamento; em que uma porção do mercado está cativa, via cartões de combustível e programas de fidelização; em que os custos operacionais são praticamente os mesmos, por causa do fornecimento e dos modelos de negócios inerentes às concessões das estações de serviço nas auto-estradas; os painéis acabam por reforçar o mecanismo, já de si natural, dos restantes operadores seguirem os preços do líder (neste caso a Galp). Existindo uma sensibilidade ao preço que roça o irracional (pessoas que ficam uma hora numa fila para pouparem 1 ou 2 euros), as diferenças de 1 ou 2 cêntimos que existem fora das auto-estradas entre os operadores mainstream, perante os painéis, têm de desaparecer.
Etiquetas: economia, ignorance is strength, teoria de jogos
21 Maio 2009
Zimbábue ou Japão?
Quando um taxista me vier explicar a regra de Taylor, será sinal de que vem aí o fim do mundo...
Cá se fazem, cá se pagam
No Wall Street Journal:
«Far from being speculators, these funds represent retired public employees, including cops and teachers. The funds paid a premium to buy "secured" status, only to discover that they were politically outranked by the United Auto Workers in the White House hierarchy.
"In the past, to be 'secured' meant an investor was 'first in line' in the event of a bankruptcy and 'non-secured' creditors would receive value after secured-creditors were paid," Mr. Mourdock says. "In the Chrysler bankruptcy, however, secured creditors received $.29 on the dollar even as non-secured creditors received higher values and ended up with a 55% ownership of the new company, which is fundamentally wrong and a dangerous precedent to the capital markets."
(...)
The question for all public officials responsible for investing pension money is whether they too should conclude that investing in U.S.-aided companies now carries so much political risk that it violates their legal obligations. Such are the wages of White House disdain for legal contracts.»
Etiquetas: economia, finance 101, oportunismo, roubalheira
A Revolta dos Contribuintes
No Wall Street Journal:
«California voters sent a blunt but welcome message Tuesday about runaway government. By rejecting by nearly two-to-one the political establishment's $16 billion in higher taxes, spending gimmickry and more borrowing, the voters said it's time government faced the same spending limits that the recession is imposing on everyone else.
Teachers unions, business leaders and the politicians outspent initiative opponents by six-to-one, and they still lost. Governor Arnold Schwarzenegger had warned that if these initiatives were voted down, government services would have to be slashed, criminals released early and public employees furloughed. But voters decided that as painful as these cuts may be, the alternative of letting the state's tax-and-spend machine continue was worse. How right they are.»
Etiquetas: caboom, ignorance is strength, roubalheira
13 Maio 2009
Toda a gente gosta de preços baixos
Nas Conferências do Estoril, Joseph Stiglitz fez uma inflamada palestra sobre a depravação moral dos banqueiros e sobre os males da desregulação dos mercados financeiros. Pelo meio, lá admitiu que “há” quem atribua parte das culpas pela crise às políticas monetárias dos principais bancos centrais, que mantiveram as taxas de juro demasiado baixas, causando maus investimentos e alocações de recursos erradas. Mas para ele isso não é grande argumento. A política monetária não ajudou, mas, para ele, a culpa é de todo o sistema financeiro, a começar pelo management, que andou a fazer lobby para desregulamentar os mercados.
Para Stiglitz, o sistema financeiro perdeu uma excelente oportunidade de aproveitar o preço baixo do dinheiro para fazer bons investimentos em vez de maus investimentos. A simplicidade do argumento é comovedora. Provavelmente tudo se resolve criando uma agência reguladora que direcciona os bancos nos sentido de fazerem bons investimentos e de evitarem os limões. Para operacionalizar a referida agência, contratam-se alguns dos tais banqueiros moralmente depravados e uns poucos dos políticos que foram “lobbiados”. Deve dar um resultadão.
Etiquetas: economia, ignorance is strength, oportunismo, self-delusion

