Crónica do Migas
Beneath this mask there is more than flesh. Beneath this mask there is an idea, Mr. Creedy, and ideas are bulletproof.

27 junho 2006

 

Ainda Sobre o Dinheiro e a Capitalização


Yet another "aparição" do Money Speech na blogosfera, desta vez no Speakers Corner. Não deixa de ser bom sinal, apesar dos comentários hilariantes que surgem.

De forma panfletária, o leitor Pedro Viana exorta (negritos meus): "Abaixo as Heranças! (...) Promova-se o esforço e o mérito! Por morte todos os bens do defunto serão postos a concurso para determinar quem mais merece possuí-los, quem tem o plano que mais dinheiro permite gerar a partir deles. Viva o mérito da melhor proposta! Viva o dinheiro ganho com mérito!" De uma só cajadada conseguia acabar com a propriedade privada e criar um mega-estado omnipresente para determinar o uso de todos os recursos! "Ganda" liberal! Viva la revolución!

Pelo seu lado, o Luis Lavoura comenta que a impossibilidade do dinheiro existir separado dos bens e mercadorias transaccionados justifica a sua posição sobre a capitalização na segurança social, que foi discutida aqui e aqui. Persistindo em que na capitalização o dinheiro apenas se multiplica "artificialmente" pelas taxas de juro e pela especulação bolsista, remata: "Como Marx bem dizia, o único valor, em última análise, é o valor do trabalho humano (e o valor dos recursos naturais, cujo possível esgotamento não era ainda encarado no tempo de Marx). Se não houver trabalho humano não há valor, e então o dinheiro de nada serve."

E assim se explica muita coisa sobre o Lavourismo. O Luis parece aceitar a ideia marxista de que o surplus value, a diferença entre o valor dos bens e serviços e o seu custo de trabalho, é indevidamente capturado pelo "capital". Quem acredita nisto, terá necessariamente de acreditar que o retorno ao investimento financeiro (a tal capitalização) é especulativo e não sustentável ao longo do tempo.

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Bocas:
Migas, esta para mim é a pérola do Luís LAvoura, que continuo a achar está perfeitamente enganado a postar num blog que se pretende liberal:


""Como Marx bem dizia, o único valor, em última análise, é o valor do trabalho humano ""

Esta é a negação do direito de propriedade. A conclusão é de que apenas o trabalho deve ser a fonte do direito de apropriação de valor. Torna-se hilariante esse comentário do Luís Lavoura, já que começa com a defesa da transmissão de bens via herança. Deve estar a pensar no trabalho que dá enterrar os entes falecidos...
 
Shock and awe...
 

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