Crónica do Migas
Beneath this mask there is more than flesh. Beneath this mask there is an idea, Mr. Creedy, and ideas are bulletproof.

31 outubro 2008

 

A dream too tired to come true


I'll be you, The Replacements.

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30 outubro 2008

 

Dreams unfulfilled


Bastards of Young, The Replacements.

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29 outubro 2008

 

Alheamento da realidade


No Jornal das Nove da SIC Notícias, entrevistando António Pinto Leite, Mário Crespo fez-lhe uma pergunta que demonstra um impressionante alheamento da realidade. Perguntou-lhe - no seguimento da história de Alfredo da Silva, da CUF, que terá morrido com muitos bens hipotecados como garantia de empréstimos que contraíra - se não era verdade que hoje em dia essa prática de os empresários darem garantias pessoais tinha caído em desuso. Isto no contexto de declínio da responsabilidade individual. Pinto Leite ainda esboçou um “não diga uma coisa dessas”, ou algo parecido, referindo que muitos empresários pelo país fora terão muitas dificuldades pessoais quando a recessão apertar. Mostrando a habitual confusão sobre o que é um empresário, Crespo ripostou algo sobre gestores públicos e outros que deixam as empresas em dificuldades e saem ilesos. Mas impressionante mesmo é a ideia mirambolante de que os empresários vão ao banco pedir crédito e não têm de dar garantias. Tenho de me lembrar dessa da próxima vez que fôr ao banco fazer um financiamento. “Mário Crespo dixit, senhor gerente”.

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17 outubro 2008

 

Small Blue Thing


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14 outubro 2008

 

"Nacionalizações"


A conversa recente sobre as “nacionalizações” de bancos está assente em alguns equívocos. Compreende-se que o camarada Jerónimo e os restantes últimos moicanos comunistas estejam tão contentes e sugiram mais “nacionalizações”. É também giro ver os órfãos socialistas sair do armário e mostrar que as suas posições pró-mercado eram apenas conversa de conveniência. Mas seria melhor analisar o fundo da questão em vez de disparar epifanias sobre “nacionalizações” a torto e a direito. Os acontecimentos sucessivos nos mercados de capitais são resultado de intervenções estatais passadas; e a cada nova intervenção, criam-se as condições para a inevitabilidade de intervenções futuras.

Nos últimos dias, o governo do Reino Unido anunciou a sua entrada no capital de vários bancos britânicos, o que tem sido apelidado de “nacionalização parcial”. De igual modo, o Tesouro americano indicou que deverá tomar uma medida semelhante nos Estados Unidos. Estes movimentos são explicados por uma necessidade dos bancos equilibrarem os seus balanços, levantando capitais próprios. A deterioração dos balanços, por sua vez, é explicada por:

Nos Estados Unidos, as government sponsored enterprises (GSEs) Fannie Mae e Freddie Mac foram especialmente afectadas por esta situação, por representarem cerca de metade do mercado. (Durante 2008, com todos os problemas de crédito dos restantes bancos americanos, o seu peso cresceu ainda mais, com 80% das novas hipotecas nos Estados Unidos tendo sido underwritten pelas duas GSEs.) Por serem tão importantes para o mercado hipotecário e por serem o veículo preferencial para a política de habitação do estado federal americano, este último assumiu o controlo das GSEs, tornando explícita uma garantia sobre as dívidas destas entidades que sempre existiu implicitamente. Isto foi feito através da injecção de capital em troca de acções preferenciais. As acções ordinárias e preferenciais pré-existentes continuaram a existir e a ter os mesmos donos, mas viram os seus dividendos suspensos e ficaram subordinadas às acções preferenciais do governo. O resultado desta operação tornou ainda pior a situação dos restantes bancos. Na verdade, muitos deles tinham acções das GSEs. O write-off obrigatório no valor destes investimentos reforçou o efeito de deterioração dos seus balanços, já de si afectados pela desvalorização do imobiliário e pelos incumprimentos hipotecários.

Em condições normais, o reforço dos balanços seria conseguido através de ofertas públicas em bolsa, emissão de direitos, etc. No entanto, uma conjugação de factores dificulta esta via. Em primeiro lugar, os investidores estão a afastar-se das bolsas, levando às suas quedas. As quedas, por sua vez, reforçam um ambiente de desconfiança e incerteza, incapaz de atrair investidores. Temos um ciclo vicioso. Apenas o tempo curará este problema; mas o tempo urge para os bancos, pois os seus balanços têm de ser reforçados já. Em segundo lugar, as atitudes dos governos relativamente aos bancos em dificuldades, ou melhor, aos seus accionistas, também não é conducente a um ambiente de confiança.

No Reino Unido, os exemplos do Northern Rock e do Bradford & Bingley são paradigmáticos. Durante 2007, o Northern Rock teve sérios problemas de liquidez, causados pela crise subprime, tendo de recorrer a empréstimos de emergência do banco central e (péssima ideia) do Tesouro britânicos. A situação continuou a deteriorar-se. O CEO foi corrido e sucederam-se ofertas de compra do banco por outras entidades. O governo britânico fez saber que não permitiria que o banco fosse comprado por outra entidade sem que os interesses dos contribuintes (os tais empréstimos de emergência) ficassem salvaguardados. Surgiram assim duas opções ao governo britânico: (1) deixar o Northern Rock entrar em processo de falência ou recuperação de empresas; (2) nacionalizar o banco.

A primeira opção poderia resultar em imediatos prejuízos para o erário público (write-offs nos empréstimos de emergência). Tinha ainda a complicação de o Northern Rock ter uma relação complexa com uma entidade off-shore com quem se tinha comprometido a fornecer hipotecas de qualidade. Se estas não fossem fornecidas, o banco teria de indemnizar a entidade, piorando a situação dos restantes credores. O governo, ao contrário de outros credores, tem acesso à airosa opção de se tornar dono do devedor sem ter de o fechar ou liquidar. Foi isso que fez.

Em 2008, o Bradford & Bringley foi a vítima que se seguiu. Também foi tentada uma aquisição por outra entidade. Tendo isto falhado, as autoridades britânicas decidiram também “nacionalizar” o banco. Ao contrário do caso Northern Rock, desta vez a decisão foi de liquidação e fragmentação do banco. Os balcões e depósitos foram vendidos ao Santander. As hipotecas estão a ser absorvidas por outros bancos. Os actuais accionistas deverão acabar por ficar sem nada, ou muito pouco, depois de terem entrado com 400 milhões de libras num aumento de capital em Julho. O mesmo deverá ocorrer aos accionistas do Northern Rock. O governo, no entanto, deverá recuperar a maior parte dos empréstimos de emergência feitos antes da situação estoirar definitivamente.

Note-se que se os bancos tivessem falido sem intervenção governamental, os accionistas possivelmente também teriam ficado sem nada. Mas o estigma da responsabilidade estaria com eles e não com o governo. A ideia de decisive action que Brown, no Reino Unido, e Bush, nos EUA, quiseram mostrar, serviu apenas para semear a desconfiança nos investidores: Valerá a pena acompanhar aumentos de capital nos bancos se na eventualidade deles serem insuficientes o governo vai intervir e eles perdem tudo? Essa é a questão que os investidores colocam, legitimamente, e que faz com que surja (como inevitável) a necessidade do próprio governo ter de adquirir acções dos bancos que precisam de reforçar o balanço.

A ideia do “Plano Paulson”, aprovado recentemente nos EUA, é de o Tesouro comprar os títulos de hipotecas de cobrança duvidosa (a um preço superior ao seu actual valor) para reforçar o balanço dos bancos. Dificilmente tal solução pode dar bom resultado: Cria-se um incentivo perverso no sistema ao recompensar quem assumiu riscos irresponsáveis à custa dos contribuintes. A aparente mudança de direcção, com entradas no capital, acaba por ser menos negativa para eles. Resta saber, no entanto, quais serão as consequências futuras de mais esta “intervenção inevitável”; quais serão as “intervenções inevitáveis” que virão?

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13 outubro 2008

 

Incongruências com piada


Pessoas que dizem ser social-democratas e que ficam claramente incomodadas quando alguém lhes chama socialistas.

Pessoas que insistem em comparar libertarians com marxistas e depois ficam todas entusiasmadas com medidas ao estilo da quinta proposta de Marx.

Pessoas de esquerda que rejeitam o marxismo mas que continuam a achar que o retorno do capital constitui exploração do trabalho e que tratam a globalização como uma espécie de conflito de classes entre países ricos e pobres.

Pessoas que dizem que as crises são uma criação conspiratória dos perigosos neoliberais para avançar a sua agenda liberalizadora mas que agora, perante uma crise, entusiasmam-se com a receptividade à sua agenda estatista.

Pessoas que consideram José Sócrates um perigoso traidor à esquerda por governar ao centro mas que estão de cabeça perdida com Barack Obama que, se eleito, ao centro governará (se calhar mais à direita que Sócrates, se é que se pode comparar).

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10 outubro 2008

 

Dicionário da crise


“Catástrofe” - O que acontece a banqueiros e investidores imprudentes quando os contribuintes não vêm, através de programas governamentais, salvar-lhes a pele.

“Fim do mundo da prosperidade” - O que acontece quando a realidade cai em cima de pessoas habituadas a dinheiro fácil criado pela expansão de crédito e que, por isso, vivem acima das suas capacidades.

“Pureza ideológica” - A insistência de pessoas teimosas em não pagar do seu bolso a irresponsabilidade de terceiros.

“Fim do capitalismo” - Descida de 6 ou 7% no índice DJIA. Já aconteceu uma meia dúzia de vezes nos últimos 80 anos.

“Disparar” - Verbo muito utilizado por jornalistas para descrever uma subida de 0,1 p.p. em determinado índice ou preço.

“Afundar” - Verbo contraposto ao anterior para descidas de 0,1 p.p.

“Salvação nacional” - Desculpa usada pelos poderes executivos para acumularem mais poderes para si próprios, em detrimento dos cidadãos e à custa dos contribuintes.

“Medidas urgentes” - Acções propostas pelos estados que devem ser aprovadas antes de dar demasiado tempo às pessoas para pensarem nelas. O carácter de urgência é tanto maior quanto maior a necessidade de salvação nacional (ver acima).

“Falha de regulação” - Incapacidade das autoridades em antever os problemas criados pelas suas anteriores intervenções no mercado.

“Falência” - Terrível flagelo que afecta algumas empresas nas economias de mercado. Estima-se que, todos os anos, as referidas economias vejam entre 2 e 3 milhões de empresas irem à falência.

“Capitalismo selvagem” - Sistema de organização política no qual indivíduos de matriz socialista não conseguem que os agentes económicos ajam como eles gostariam. O sistema é caracterizado por falhas de regulação e falências ocasionais (ver acima).

“Bush” - Político americano que, apesar de só ter estado oito anos no poder, consegue ser responsável por todos os erros de política económica desde - e incluindo - a extinção do sistema Bretton Woods em 1971.

“O que é teu é nosso” - Sindroma que faz pessoas que não investiram na bolsa sentirem-se prejudicadas pelos prejuízos de outras pessoas que efectivamente investiram na bolsa.

“Short-termism” - Expressão inglesa que caracteriza o comportamento de pessoas que avaliam o comportamento dos fundos de pensões de outras pessoas em função da evolução dos índices bolsistas dos últimos dias.

“Short-selling” - Pérfida prática através da qual o estado promete pagar uma reforma a cada cidadão no futuro em troca de que esse cidadão pague a reforma de um terceiro no presente.

“Inflação” - Método fiscal utilizado pelo estado para pedir mais emprestado hoje e pagar menos amanhã, sendo a diferença paga por todos cidadãos (mesmo os que não pagam impostos).

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09 outubro 2008

 

Ignorância


De parte da esquerda (marxista, marxista envergonhada ou clueless), não é surpresa o gáudio vivido na expectativa de um sonhado regresso às ideias socialistas dominantes na primeira metade do século XX, como consequência da actual crise nos mercados financeiros. Os últimos cem anos foram assim: Um tug-of-war constante entre liberalismo e estatismo, com inversões de tendência regulares. Se a ameaça do colectivismo totalitário parece ter sido mais ou menos afastada, em contrapartida o deprimente plano inclinado na direcção da mesmice e do nanny state continua em força.

Também não surpreende totalmente, embora seja sempre desanimador, ver a facilidade com que os auto-intitulados “moderados”, os que dizem querer “salvar o capitalismo de si próprio”, se transformam no motor que reforça o tal plano inclinado. São como bem intencionados rawlsianos, que em tudo o que diz respeito à economia, acabam por levar à letra a ideia de se colocarem por trás de um véu de ignorância.

Como escreveu Ayn Rand: «It is futile to fight against, if one does not know what one is fighting for.»

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08 outubro 2008

 

O fado da posição dominante


Quando uma empresa com posição dominante…

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