Crónica do Migas
Beneath this mask there is more than flesh. Beneath this mask there is an idea, Mr. Creedy, and ideas are bulletproof.

13 fevereiro 2009

 

Métodos Socráticos


Mais depressa se apanha alguém com uma insuficiência epistemológica do que um portador de deficiência num dos membros inferiores.

Segundo o Jornal de Negócios, o primeiro-ministro terá citado «um estudo, segundo o qual os 10% que declaram maiores rendimentos em Portugal deduzem, em média, 300 euros, em despesas de Saúde, ao passo que os de rendimentos médio apenas “abatem” 80 euros. Em seu entender, esta situação “não é justa” e deve ser corrigida.»

Interrogo-me como quererá o primeiro-ministro “corrigir” a situação. O montante deduzido é proporcional aos gastos com saúde efectuados pelo contribuinte. Os contribuintes que deduzem menos também gastam menos. Vão ao Serviço Nacional de Saúde. Que é pago com os impostos dos primeiros, que dada a progressividade dos escalões, até pagam disproporcionalmente por serviços que não usam ou usam menos (daí deduzirem mais no IRS). Este é o resultado directo do sistema fiscal que temos, que é progressivo e redistributivo. Uma “correcção” aqui significa uma de duas coisas: Ou os contribuintes de escalões inferiores passam a gastar mais em saúde, fora do SNS (algo contraditório com o propósito do dito sistema), ou então os contribuintes dos escalões superiores passam a deduzir menos (o que se traduz simplesmente num aumento de impostos).

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